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Prefácio
I – O Mundo Visível e os Mundos Invisíveis
II – A Constituição do Homem
III – O Método de Evolução
IV – Esquema e Caminho da Evolução
V – A Evolução da Terra
VI – Cristo, Jesus e o Cristianismo
VII – Os Rosacruzes
PREFÁCIO
O Conceito Rosacruz do Cosmos, de Max Heindel, é a obra básica da Filosofia Rosacruz .
Ao contrário de outros livros sobre Ocultismo, “... não é dogmático, nem apela para qualquer autoridade que não seja a própria razão do estudante”; não é “o Alfa e o Omega, nem o máximo do conhecimento oculto”, antes “encerra apenas a compreensão do autor sobre os ensinamentos Rosacruzes relativos ao mistério do mundo, reforçados pelas suas investigações pessoais nos mundos internos ...”, conforme nos adverte Max Heindel logo no início. E, de facto, esta obra contem passagens que nos transmitem a sensação de se estar a ler o relato de alguém que presenciou, de visu, o que está a descrever; daí o ter sido considerada, por muitos, o que de melhor se escreveu, até hoje, sobre Ocultismo.
No entanto, e curiosamente, enquanto alguns acham o Conceito Rosacruz do Cosmos perfeitamente claro e acessível, outros deparam-se com dificuldades em o ler, acabando por arrumá-lo na prateleira.
Tendo em vista prestar alguma ajuda a quem se encontre nestas condições, e proporcionar aos eventuais leitores deste site as noções básicas para melhor seguirem a minha linha de pensamento em outros artigos, entendi por bem fazer um resumo do Conceito Rosacruz do Cosmos, onde incluí algumas notas explicativas e interpretativas.
I
O MUNDO VISÍVEL E OS MUNDOS INVISÍVEIS
PRIMEIRA NOTA
(Colaboração do Prof. Doutor Paulo Simeão de Carvalho,
da Universidade do Porto)
O mundo visível é, naturalmente, aquele que os nossos órgãos de percepção sensorial nos dão a conhecer: um mundo com terra, água, pessoas, animais, plantas, que podemos ouvir, tocar, cheirar, provar e principalmente ver.
Aquilo a que chamamos radiação consiste em oscilações (perturbações) do campo electromagnético. A luz é apenas uma parte da radiação situada numa determinada banda de frequências que vão desde aproximadamente 4 x 10 14 a 7,5 x 10 14 vibrações por segundo; esta é a radiação que pode ser detectada pelos nossos olhos como cores, desde o vermelho ao violeta. Em contrapartida a radiação cujas vibrações se situam abaixo de 4 x 1014 ou acima de 7,5 x 1014 por segundo, os chamados raios infravermelhos e ultravioletas, respectivamente, não é visível para os nossos olhos físicos.
Este tipo de manifestação não ocorre apenas entre a radiação e os nossos olhos, pois verifica-se algo de parecido com outros órgãos sensoriais. O som, por exemplo, apenas é audível para o ouvido humano se a sua frequência se situar entre os 15 e os 20.000 hertz; um fenómeno paralelo ocorre com o tacto: se os nossos terminais nervosos não forem sensíveis à densidade de um determinado corpo, o nosso cérebro não recebe nenhum estímulo e não podemos saber se estamos, ou não, em contacto com esse corpo, como sucede, por exemplo, com o ar.
Em suma, quando a luz e o som vibram numa frequência acima do alcance das nossas capacidades sensoriais, e a densidade de uma determinada matéria, ou substância, não é suficiente para accionar os nossos terminais nervoso, não nos podemos aperceber do que possa existir nessas condições.
Suponhamos, agora, a existência de um segundo mundo, digamos assim, onde a frequência da “luz” se situa entre as 7,5 x 1014 e as 11 x 1014 vibrações por segundo; essa “luz”, logicamente, será visível para os seres que possam existir nesse mundo. Prossigamos imaginando um terceiro mundo onde a frequência da “luz” se situe entre as 11 x 1014 e as 14,5 x 1014 vibrações por segundo; esta radiação será visível para outros seres que possam existir neste terceiro mundo, mas não o será para os seres do segundo mundo, nem, e muito menos, para nós. Como é natural, esta suposição pode-se estender ao som, ao tacto, ao paladar, ao olfacto... e até a outros sentidos que os seres dos segundo, terceiro e outros mundos possam ter.
Mas a nossa imaginação, em vez de “subir”, pode “descer” e conduzir-nos a um mundo onde a frequência da “luz” se situe entre as 0,5 x 10 14 e as 4 x 10 14 vibrações por segundo; pela mesma ordem de ideias, esse mundo será visível para os seres que nele possam viver, mas não o será para nós nem para todos os que possam existir em todos os mundos “superiores”.
Este raciocínio especulativo conduz-nos a uma conclusão - a de que, para além deste nosso mundo visível, audível, palpável, pode haver muitos outros mundos que escapam aos nossos limitados sentidos sensoriais e estão totalmente fora do alcance duma ciência que se encontra circunscrita ao nosso mundo; são os mundos invisíveis, ou universos paralelos, como agora se costuma dizer.
O Conceito Rosacruz do Cosmos começa por considerar sete mundos:
• Mundo de Deus, o mais subtil (o conceito de Deus será tratado mais adiante),
• Mundo dos Espíritos Virginais,
• Mundo do Espírito Divino,
• Mundo do Espírito de Vida,
• Mundo do Pensamento,
• Mundos dos Desejos, e
• Mundo Físico, o mais denso, o nosso mundo.
Cada mundo tem sete subdivisões distintas.
As principais diferenças entre mundos e subdivisões é o facto das leis da Natureza actuarem de maneira diferente em uns e noutras; por exemplo, no Mundo Físico os corpos estão sujeitos à gravidade, mas já o não estão no Mundo dos Desejos.
O nosso mundo corresponde, apenas, à parte inferior do Mundo Físico. Atenção que este inferior não significa que esteja abaixo ou acima do que quer que seja. Todos os mundos ocupam o mesmo espaço; as substâncias de que são formados é que diferem quanto à frequência das vibrações dos seus componentes; assim, o uso de termos como inferior e superior apenas serve para facilitar a exposição.
A parte inferior do Mundo Físico chama-se Região Química e subdivide-se em Gases, Líquidos e Sólidos, correspondentes aos três estados da matéria. A parte superior chama-se Região Etérica e subdivide-se em Éter Reflector, Éter Luminoso, Éter de Vida e Éter Químico. Este éter nada tem a ver com o produto laboratorial com a mesma designação; o éter dos Rosacruzes é uma substância cujas vibrações são superiores à da matéria química e que se apresenta em quatro estados.
O éter mais denso, o Químico, apresenta-se com duas polaridades, positiva e negativa, que dão origem a duas forças de sinal contrário. A força positiva é aquela que permite que os elementos nutritivos sejam assimilados pelo homem, pelos animais e pelas plantas; a força negativa origina a excreção.
O éter seguinte, o de Vida, tem iguais polaridades e forças. A positiva confere à fêmea a capacidade gestativa, e a negativa confere ao macho a produção do sémen; ambas permitem, pois, a vida e daí a sua designação.
O Éter Luminoso, também bipolarizado, tem duas funções: a positiva provoca a circulação do sangue nos animais e da seiva nas plantas; a negativa actua nos órgãos de percepção, permitindo a função sensorial dos homens e dos animais superiores e criando outros meios de percepção nos animais inferiores; nas plantas dá origem à fotossíntese.
O Éter Reflector é o meio pelo qual o pensamento impressiona o cérebro. É, também, a zona mais baixa da chamada Memória da Natureza, ou Registo Akashico na terminologia oriental, onde os médiuns e videntes não instruídos vão buscar as suas informações, normalmente ilusórias porque não passam de reflexos nebulosos e imprecisos da verdadeira Memória da Natureza que se situa no Mundo do Espírito de Vida.
O Mundo dos Desejos, ou Plano Astral, a designação mais vulgarizada, é onde se encontram seres e entidades vivas actuantes, humanos e não humanos, cuja matéria é mais matéria-força do que matéria química subtilizada; aqui tudo é cor e movimento de incrível rapidez, criando-se, num ritmo quase alucinante, formas sobre formas debaixo da acção das forças do homem, dos animais e de outras entidades que não têm lugar no Mundo Físico mas são ali tão activas quanto nós o somos na Terra. Neste mundo é onde vivem, digamos assim, os sentimentos, os desejos, as emoções, as paixões.
O Mundo dos Desejos divide-se em sete regiões e ali se encontram duas grandes forças, a da atracção e a da repulsão, que actuam diferentemente consoante as regiões: nas três mais elevadas apenas se encontra a da atracção; na central ambas estão ausentes, sendo, assim, uma zona neutra; nas três regiões mais baixas encontram-se as duas forças, predominando a de atracção na antepenúltima, equilibrando-se na penúltima, e prevalecendo a da repulsão na última (é o baixo astral, citado pelos Brasileiros).
Todos os desejos, emoções, sentimentos e paixões que o homem sente ou exprime criam formas no Mundo de Desejos que se localizam ao longo das várias regiões; um sentimento de ódio, por exemplo, cria uma forma na região mais baixa, enquanto um sentimento de amor cria outra forma numa das regiões mais elevadas.
Na região central encontram-se os sentimentos como que em estado latente, suscitados pela natureza da ideia. Basicamente há dois sentimentos: interesse e indiferença; o interesse, bom ou mau, faz crescer a ideia, alimentando-a, fazendo-a florescer e despertando uma das forças, a atracção ou a repulsão; a indiferença, pelo contrário, faz murchar a ideia deixando-a morrer sem ter provocado qualquer acção da nossa parte.
Nas regiões mais subtis encontram-se os sentimentos mais elevados, mais nobres, do homem, como o altruísmo, a filantropia, o amor.
O Mundo dos Desejos tem uma importância capital para nós enquanto habitantes deste planeta, pois é com a sua substância constituinte que se envolvem as ideias que formulamos, ou seja, se adjectiva e caracteriza tudo o que pensamos, de onde decorre a correspondente acção no Mundo Físico, quer dizer, a força que nos leva a agir, a viver e não a vegetar, enfim, a evoluir.
Em outro estado vibratório mais elevado encontra-se o Mundo do Pensamento, também com sete subdivisões agrupadas em duas regiões, a do Pensamento Abstracto e a do Pensamento Concreto.
A Região do Pensamento Concreto proporciona a matéria mental em que se desenvolvem as ideias geradas na Região do Pensamento Abstracto, na qual se situam, em estado potencial, as ideias germinais da forma, da vida e dos desejos; na Região do Pensamento Concreto, encontram-se os arquétipos dessas mesmas ideias, os arquétipos a que se referiam Platão, Camões e outros.
Quando se forma uma ideia, esta começa por nascer numa das três subdivisões superiores; a seguir, a mente, ou força arquetípica, acciona uma das subdivisões inferiores e envolve essa ideia em substância constituinte da Região do Pensamento Concreto, formando um arquétipo. Um arquétipo não é um modelo estático, passivo, mas uma entidade viva, de que as coisas terrenas são meras cópias reflectidas, imperfeitas, efémeras e confusas, tal como as sombras que os homens acorrentados viam projectadas. defronte de si, nas paredes, conforme Platão descreve na célebre alegoria da caverna (República, Livro VII); um arquétipo é, pois, um pensamento-forma. Esta região das Forças Arquetípicas constitui, ainda, a zona intermédia da Memória da Natureza, cujo verdadeiro domínio se situa no Mundo do Espírito de Vida, com já se disse.
Estes mundos situam-se, em termos comuns de espaço, à volta do nosso planeta, interpenetrando-o e interpenetrando-se. De facto, quer a Terra quer os outros planetas do Sistema Solar são corpos densos de grandes espíritos, os quais, à semelhança do homem, se encontram envolvidos por um corpo vital, um corpo de desejos e um corpo mental. Entretanto, o espaço interplanetário é o Mundo do Espírito de Vida e o espaço galáctico o Mundo do Espírito Divino.
DIAGRAMA I