MARCOS
Marcos, ou João Marcos como é referido em Actos
de Apóstolos (12, 12 e 25 ss), era levita, filho de uma das primeiras e mais influentes cristãs de Jerusalém, de nome Maria, em cuja
casa Pedro se abrigou quando saiu da prisão, e onde os apóstolos costumavam reunir-se para orar (Ac 12, 12-13); era primo de
Barnabé (Col 4, 10), com quem tinha estabelecido laços especiais (Ac 15, 37-39). Desconhece-se a data do seu nascimento, mas admite-se
que haja falecido na penúltima década do século I [i][1].
Diz Jerónimo
no prefácio que escreveu ao Evangelho de Marcos quando o traduziu para a Vulgata, que o autor era sacerdote judaico antes de se ter
convertido ao Cristianismo, altura em que, segundo Hipólito (f. c. 236), terá decepado o polegar para ficar inapto para
esse sacerdócio.
Embora Epifânio (310 – 403) diga que Marcos foi um dos que se afastaram de Cristo (Jo 6, 66), a tradição aponta-o
como um dos setenta e dois discípulos. E, de facto, quando Paulo e Barnabé regressaram a Antioquia depois de terem estado em Jerusalém
por ocasião da fome de 45 e 46, convidaram-no a acompanhá-los (Ac 12, 25), como depois o convidaram quando iniciaram a primeira jornada
apostólica, tendo Marcos servido como uma espécie de auxiliar (Ac 13, 5), uma vez não ter sido escolhido pelo Espírito Santo nem nomeado
delegado da Igreja de Antioquia. Quando Paulo e Barnabé resolveram deixar Perge em direcção à Ásia Menor, Marcos, por motivos que
se desconhecem, deixou-os e regressou a Jerusalém (Ac 13, 13). Quando da segunda jornada apostólica, Barnabé quis levá-lo mas Paulo
opôs-se e “houve tal discussão que se separaram um do outro, e Barnabé, levando consigo Marcos, navegou para Chipre” (Ac 15, 37-39).
A
partir deste episódio perde-se o seu rasto em Actos dos Apóstolos até ser citado por Paulo, numa carta dirigida aos Colossenses durante
o seu primeiro encarceramento em Roma, entre 59 e 61, onde dizia “Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de cela, e Marcos, primo de
Barnabé, a respeito do qual já recebestes instruções. Se for ter convosco recebei-o bem” (Col 4, 10); pouco depois, ao enviar um bilhete
a Filémon, Paulo enviou-lhe saudações de Marcos (Film 1, 23), e quando escreveu a Timóteo, que se encontrava em Éfeso, pediu-lhe
que trouxesse Marcos, que estaria, portanto, na Ásia Menor, para junto de si “porque me é muito útil para o ministério” (2 Tim 4, 11). Se Marcos foi para Roma nessa altura, é possível que ali estivesse por volta de 65, quando da decapitação de Paulo.
Marcos
passou, então, a acompanhar Pedro, que o tratava carinhosamente por filho, o qual, numa das suas cartas, escreveu “A igreja que está
em Babilónia [leia-se Roma] eleita como vós, saúda-vos, assim como Marcos, meu filho” (I Ped 5, 13); uma vez que esta carta foi dirigida
às igrejas do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, conclui-se que Marcos era bem conhecido nas mesmas, o que significa que,
depois de se ter escusado a acompanhar Paulo e Barnabé na sua primeira jornada, acabou por percorrer toda a Ásia Menor em pregação.
Cerca de 130, Papias, bispo de Hierápolis, citando uma personagem
que identifica, apenas, como presbítero, ou seja, ancião, disse que “Marcos, que se tornou intérprete de Pedro, escreveu com
exactidão, embora não por ordem, tudo de que se recordava entre os feitos e ditos do Senhor”; trata-se do seu evangelho canónico,
que terá sido escrito em Roma, entre 65, ano em que começou a acompanhar Pedro, e 70, ano da destruição de Jerusalém predita no capítulo
14, sendo, assim, o mais antigo dos quatro evangelhos canónicos, que, de resto, Mateus e Lucas consultaram para escreverem os seus[ii][2].
Segundo a Igreja de Roma, o Evangelho de Marcos foi escrito para os cristãos de origem não judaica que habitavam fora da Palestina;
não tem intenções apologéticas, antes se preocupando em anunciar a boa-nova cristã e provar que Jesus era o Messias, uma vez
que as testemunhas presenciais do ministério de Cristo estavam a desaparecer.
Será curioso referir que chegaram até nós diversas cópias
antigas deste evangelho, escritas em grego, mas quase todas apresentam diferenças, algumas irrelevantes, mas outras gravosas; por
exemplo, no episódio do leproso que se aproximou de Jesus pedindo que o curasse, as cópias mais antigas dizem que o Senhor se irou,
ou indignou, enquanto as posteriores afirmam que se compadeceu (cf. 1, 41); por outro lado, algumas terminam o evangelho em 16, 8,
enquanto que as que foram feitas depois do século II acrescentam-lhe doze versículos, talvez porque um copista, achando que o fim
era abrupto e insatisfatório, completou o texto com o que lhe pareceu uma conclusão mais satisfatória.
Voltemos à tradição
para ficarmos a saber que, após a crucificação de Pedro, Marcos foi para Alexandria, onde fundou uma igreja à frente da qual se manteve
alguns anos, até ser substituído por Ário; aí faleceu e foi sepultado. Mais tarde, os seus restos mortais – ou o que se supôs serem-no
- foram trasladados para Veneza, onde o doge Giustiniano Particiaco os recebeu, solenemente, em 31 de Janeiro de 828.
Marcos, cujo símbolo é um leão alado, é o santo padroeiro desta cidade, sendo celebrado a 25 de Abril pela Igreja de Roma e a 27 de
Setembro pela Igreja Grega.
A CARTA DE CLEMENTE DE ALEXANDRIA
E O EVANGELHO SECRETO
Na Primavera de 1958, Morton Smith (1915-1991), então licenciado em Teologia e mais tarde Professor de História da Antiguidade na
Universidade de Colômbia, EUA, encontrava-se em Israel a catalogar os livros e manuscritos da biblioteca do velho mosteiro de Mar
Saba, situado a cerca de vinte quilómetros a sul de Jerusalém, onde estivera refugiado quando da Segunda Guerra Mundial.
Ao longo
do seu trabalho foi descobrindo novos escólios de Sófocles e dúzias de outros manuscritos, mas o que mais o surpreendeu foram três
folhas que se encontravam presas às páginas finais da edição (1646) de Isaac Voss, do livro Epistolae genuinae S. Ignatii Martyris:
tratava-se de uma cópia, feita no século XVIII, de uma carta escrita por Clemente de Alexandria (c. 150-215)[iii][3] a um certo Teodoro,
em resposta a diversas perguntas que este lhe fizera sobre um evangelho que Carpocrates (f. entre 130 e150) [iv][4] exibia como
sendo de Marcos [v][5].
Morton Smith fotografou os originais e regressou aos EUA, onde, em 1960, comunicou à Sociedade de Literatura
Bíblica a sua descoberta. O texto do comunicado foi publicado, na manhã seguinte, na primeira página de The New York Times,
e levantou, de imediato, uma acesa polémica. Mais tarde publicou alguns livros sobre o assunto [vi][6], e a sua tradução, para inglês,
da carta de Clemente de Alexandria passou a figurar em diversos sites [vii][7], o que veio a alimentar uma controvérsia que parece estar longe de terminar.
De facto, a Igreja reagiu negativamente, como era de esperar, e atirou com termos como absurdo, inaceitável,
especulativo, irresponsável; alguns académicos apelidaram Morton de mentiroso e desonesto porque não descobrira o evangelho secreto,
mas apenas dois fragmentos; outros, que o evangelho, ou a carta, de que tinham visto, apenas, fotografias, eram falsos, embora outros
académicos estejam dispostos a aceitar a autenticidade do documento como hipótese de trabalho. Em contrapartida, a obra de Morton
Smith foi muito bem acolhida por Da Avabshasa[viii][8], guru de Free Daist Communion, um grupo religioso orientalista da Califórnia,
que em 1982 fez uma nova edição de The Secret Gospel com um prefácio da conceituada Elaine Pagels[ix][9] e um post scriptum do próprio
Morton Smith.
* * *
Na sua carta, Clemente de Alexandria faz um ataque cerrado aos Carpocracianos e chega a
dizer que aquele que ama a verdade não deve concordar com eles, mesmo que digam algo de verdadeiro, pois a verdade certa é a que está
conforme à fé.
Sobre Marcos conta que, durante a estada de Pedro em Roma, escreveu um registo dos feitos do Senhor, mas não de todos,
nem sugeriu os feitos secretos, antes seleccionando aqueles que considerou mais úteis ao aumento da fé. Após o martírio daquele apóstolo,
foi para Alexandria trazendo as suas notas e as de Pedro das quais transferiu para o seu anterior livro as coisas adequadas a tudo
quanto contribuiria para o avanço do conhecimento. Assim, compôs um mui espiritual Evangelho para uso daqueles que estavam sendo aperfeiçoados.
Contudo nem divulgou as coisas que não podem ser pronunciadas, nem escreveu os ensinamentos hierofânticos do Senhor, mas ao que já
tinha escrito deu uma interpretação que conduziria os ouvintes ao mais profundo dos santuários daquela verdade que está oculta por
sete véus.
Clemente esclarece que quando Marcos morreu deixou a sua obra à igreja de Alexandria onde ficou cuidadosamente guardada
e disponível, apenas, para os que estavam a ser iniciados nos grandes mistérios. Seguidamente acusa Carpocrates de ter escravizado
um presbítero para obter uma cópia do Evangelho secreto (sic) que interpretou à luz da sua blasfema e sensual doutrina, acrescentando
mentiras às santas palavras originais. Assim, aconselha a não se reconhecer que o Evangelho secreto é de Marcos, mas a Teodoro
não hesita em responder às perguntas que lhe fizera e diz que, depois de “E eles estavam no caminho indo para Jerusalém”, e o que
segue até “Após três dias levantar-se-á” [x][10], o Evangelho secreto acrescenta o seguinte (transcrevo na íntegra):
“E eles
vieram para Betânia. E uma certa mulher cujo irmão tinha morrido, estava ali. E, aproximando-se, prostrou-se perante Jesus e disse-lhe,
‘Filho de David, tem misericórdia de mim’. Mas os discípulos repreenderam-na. E Jesus, irando-se, foi com ela para o jardim onde se
encontrava o sepulcro e imediatamente se ouviu um grande grito vindo dali. E, aproximando-se, Jesus afastou a pedra que fechava a
entrada do sepulcro. E indo imediatamente até onde se encontrava o jovem, estendeu o braço e ergueu-o segurando-lhe a mão. O jovem,
olhando-o, ficou a amá-lo e começou a implorar-lhe que pudesse estar com ele. Saindo do sepulcro entraram em casa do jovem,
pois ele era rico. E depois de seis dias Jesus disse-lhe o que fazer e à noite o jovem veio até si, cobrindo com um pano de linho
o corpo nu. E esteve com ele essa noite, pois Jesus ensinou-lhe o mistério do reino de Deus. E dali, levantando-se, regressou à outra
margem do Jordão”.
Clemente afirma,
textualmente, que “homem nu com homem nu” e as outras coisas acerca das quais escreveste não se encontram, e prossegue informando
que, depois das palavras “E vieram para Jericó” [xi][11], o Evangelho secreto acrescenta, apenas (transcrevo na íntegra)
“E a
irmã do jovem que Jesus amava e sua mãe e Salomé estavam ali, e Jesus não as recebeu”.
A carta termina abruptamente com a frase “a verdadeira explicação e o que está em harmonia com a verdadeira filosofia ... “, o que é de lamentar já que a verdadeira
explicação deveria ter, sem dúvida, o maior interesse.
COMENTÁRIOS
A “ressurreição” do jovem de Betânia é, claramente,
uma versão resumida da de Lázaro, narrada por João no seu evangelho: ambas acontecem no mesmo período do ministério de Cristo, têm
como cenário a mesma cidade, em ambas é uma irmã do “defunto” que se aproxima de Cristo na estrada, e lhe pede que o “ressuscite”,
ambas ocorrem quando os “defuntos” estão já na “sepultura”, e são realizadas em público, um detalhe de grande simbolismo.
Há,
porém, algumas diferenças: no evangelho de João há duas irmãs (Jo 11, 1-3), Cristo não entra no sepulcro nem toca no “defunto” (Jo
11, 39-43), e só mais tarde é convidado para sua casa (Jo 12, 1-2). Penso que estas diferenças, aliás pouco significativas, resultarão
do facto do Evangelho Secreto de Marcos estar relacionado com a iniciação nos Mistérios Menores mas relatar uma Primeira Iniciação
nos Mistérios Maiores, campo no qual se insere, apenas, um único evangelho canónico, o de João; daí o laconismo de Marcos, em contraste
com a riqueza de pormenores com que João nos relata a “ressurreição” de Lázaro.
Sendo, pois, os evangelhos canónicos fórmulas iniciáticas, levanta-se a questão de se saber o que é, exactamente, este evangelho secreto.
Ora Clemente diz que Marcos, após a morte de Pedro, trouxe para Alexandria o seu evangelho original - o que mais tarde seria incluído
no cânon da Igreja - e escreveu outro, “mais espiritual para uso daqueles que estavam sendo aperfeiçoados”, que foi guardado
pela igreja de Alexandria para uso, apenas, na iniciação nos mistérios; assim, será de admitir que o evangelho secreto seja um verdadeiro
manual de iniciação nos Mistérios Menores e não, apenas, uma simples fórmula.
É possível, e natural,
que Marcos se tenha servido do seu evangelho canónico, onde já tinha deixado algumas indicações iniciáticas, para compor o secreto;
terá sido por isso que o canónico apresenta duas passagens incompreensíveis ou insólitas.
A primeira está em 10, 46: “Chegaram a Jericó.
Quando ia a sair de Jericó com os Seus discípulos e uma grande multidão...”; é evidente que este versículo está truncado, até porque
Mateus e Lucas, ao relatarem o mesmo episódio, explicam detalhadamente o que se passou em Jericó[xii][12]; com o segundo fragmento
do evangelho secreto, ficamos a saber que Marcos quis referir qualquer coisa relacionada com a “ressurreição” do jovem de Betânia,
mas que a omitiu porque - quem sabe? - talvez Pedro lhe tenha recomendado que não a divulgasse indiscriminadamente.
A segunda passagem
vem em 14, 51-52 e reza o seguinte: “seguia-o [a Jesus] um jovem coberto somente de um pano de linho; e prenderam-no. Mas, lançando
ele de si o pano de linho, fugiu completamente nu”; este episódio, que Mateus e Lucas não mencionam, é intrigante: quem era o jovem?
porque ia coberto, apenas, com um pano de linho? qual a intenção de Marcos ao incluir este pormenor no seu evangelho canónico? Tendo
em atenção o que consta do secreto, é de admitir que este jovem fosse ter com Cristo, ao jardim de Getsemani, para ser iniciado, tal
como tinha sido o jovem de Betânia, ou seja, o Lázaro de João. De notar que alguns académicos admitem a possibilidade deste jovem
ser o próprio Marcos.
Será curioso notar que Morton Smith admite
que Jesus realizou actos que classifica como mágicos, que envolviam um rito baptismal que, associado à recitação de orações hipnóticas
e repetitivas e ao canto de hinos, podia induzir um estado alterado de consciência; prossegue dizendo que, das informações dispersas
nos evangelhos canónicos e no evangelho secreto de Marcos, se pode formar uma ideia daquele rito: havia água baptismal destinada a
discípulos escolhidos, singularmente, e durante a noite; o seu trajo era, apenas, um pano de linho sobre o corpo nu, que era retirado
quando da imersão na água; seguidamente, tinham lugar cerimónias desconhecidas que faziam com que o discípulo fosse possuído pelo
espirito de Jesus, participando, assim e por alucinação, na sua ascensão aos céus, o que lhe franqueava as portas do reino de Deus
e o libertava das leis do mundo inferior. Diz Morton Smith que estas práticas já eram citadas em textos judaicos místicos, em documentos
de Qumran, em papiros mágicos gregos e que, mais tarde, foram comuns em práticas cristãs, nomeadamente na liturgia bizantina.
O que
se passou em casa do jovem de Betânia, principalmente na última noite em que este foi ter com Jesus coberto, apenas, por um pano de
linho, tem sido objecto de especulações licenciosas, e foi utilizado por Carpocrates para fundamentar a sua crença de que Jesus fazia
sexo; daí a afirmação de Clemente de que no Evangelho secreto não se encontram expressões como “homem nu com homem nu”. De facto, é impensável que Jesus se envolvesse em práticas sexuais e muito menos homossexuais; de resto, na cópia da carta de Clemente
de Alexandria, o verbo usado para exprimir a ideia de que Jesus amou é agapáo[xiii][13], que significa, exactamente, receber ou tratar
com amor fraternal, amar, querer, preferir, estar contente ou satisfeito de ou com; daí ágape[xiv][14], amor fraternal, objecto de
afeição, cujo plural designa as refeições fraternais dos primitivos cristãos. Para amar, no sentido de desejo lúbrico, o verbo grego
é eraô [xv][15], raíz de erótico, amor sensual, lascivo; para designar o acto sexual o termo é porneuô[xvi][16]; daí o adjectivo pornográfico.
Para finalizar, refira-se que o evangelho secreto ainda circulava, em meios muito restritos, em vida de Clemente de Alexandria,
ou seja, em meados da segunda década do século III; uma vez que “desapareceu”, será de admitir que talvez a partir de 313, quando
Constantino (c.280-337) legalizou a religião cristã no Império Romano, esse evangelho, bem como outros textos da mesma natureza, tenha
sido apreendido e, quem sabe?, mais tarde guardado a sete chaves nos arquivos secretos do Vaticano.
António Monteiro
Setembro de 2004
[i][1] Praticamente todas as datas relacionadas com a vida e obra de apóstolos, evangelistas e, de um modo geral, dos primeiros cristãos, são incertas, pelo que indico as que parecem reunir maior consenso
[ii][2] O local de redacção do evangelho parece não oferecer dúvidas; o mesmo, porém, não se passa com a data, havendo quem defenda outras compreendidas entre 64 e 80, ou 75 e 80, etc.
[iii][3] Teólogo grego, que terá nascido em Atenas e ensinou em Alexandria, Egipto. Clemente adaptou as ideias da filosofia grega à doutrina cristã, acreditando que esta filosofia era uma dádiva divina à humanidade. É um dos primeiros autores cristãos a cujos escritos a Igreja reconhece autoridade.
[iv][4] Filósofo alexandrino, fundador, com seu filho Epifânio, de uma seita helenística herege, claramente licenciosa, relacionada com o Gnosticismo. Eusébio identificou-o como contemporâneo de Saturnino e Basilides, situando-o na linha sucessória de Simão o Mago. Segundo os Carpocracianos, o mundo foi feito por anjos, muito inferiores ao Pai; acreditavam que o homem esteve inicialmente unido com o Absoluto, que se corrompeu, mas que será salvo nesta vida ou em outra posterior através de sucessivas transmigrações; quanto a Jesus, afirmavam ter sido gerado por José e que foi, apenas um dos homens sábios que alcançou a libertação.
[v][5] Vidé original em grego, em http://alf.zfn.uni-bremen.de/~wie/Secret/secmark-greek.html.
[vi][6] The Secret Gospel: The Discovery and Interpretation of the Secret Gospel according to Mark, Clement of Alexandria and a Secret
Gospel of Mark, Jesus the Magician – Charlatan or Son of God?, etc.
[vii][7] V.g. http://www.globaltown.com/shawn/secmark.html,http://alf.zfn.uni-bremen.de/~wie/Secret/letter-engl.html
[viii][8] Foi inicialmente conhecido como Franklin Jones, Da Free John e Da Kalki.
[ix][9] Doutorada em 1970 pela Harvard, University, USA, é professora no Bernard College, Columbia University, onde dirige o departamento de religiões desde 1975. É autora consagrada de diversos livros sobre Gnosticismo, como The Johannine Gospel in Gnostic Exegesis, The Gnostic Gospels, etc.
[x][10] No tempo de Clemente de Alexandria o Novo Testamento, aliás como o Antigo, não estava dividido em capítulos e versículos, o que apenas viria a ser feito nos séculos XIII e XVI. Assim, a frase “E eles estavam no caminho indo para Jerusalém” é o princípio de Mc 10, 32, e “Após três dias levantar-se-á” o final de Mc 10, 34. “E eles vieram para Betânia” é, portanto, o início do texto do Evangelho Secreto transcrito por Clemente de Alexandria.
[xi][11] Corresponde a Mc 10, 46.
[xii][12] Cf Mt 20, 29-34 e Lc 19, 1-28.
[xiii][13] ??ap??
[xiv][14] ’???p?
[xv][15] ????
[xvi][16] ????e??