INTRODUÇÃO
O Código Da Vinci, de Dan Brown,[i][1] é um estrondoso êxito literário: as edições, em todo o mundo, contam-se aos
milhões; o mercado livreiro não para de ser inundado por ondas de livros relacionados com o tema; na Internet multiplicam-se os sites,
uns a favor e alguns com visitas virtuais aos locais onde a acção decorre, outros contra; no nosso país, em princípios de 2005 a Abreu,
em colaboração com um mestre maçon, organizou uma viagem à Itália subordinada ao tema Em busca de Maria Madalena; a RTP 1 dedicou-lhe
um programa; e nos EUA, Ron Howard acabou de rodar um filme baseado no livro, para a Columbia Pictures, interpretado por Tom Hanks.
Em
boa verdade, além de proporcionar algumas horas de agradável leitura, O Código Da Vinci tem o inestimável mérito de estimular
a reflexão crítica de alguns leitores e de os levar a questionar a versão oficial das Igrejas Cristãs sobre alguns passos da vida
de Jesus, o que, porém, nem sempre é feito da forma mais ponderada e correcta, porque se esquece que o livro não passa de um romance
policial, um thriller, cuja acção é, até, um sonho da principal personagem; assim sendo, o autor pode dar asas à sua imaginação e
contar com a benevolência dos leitores para uns tantos erros históricos e deficiências de interpretação, não só de textos do Cristianismo
primitivo, como de algumas obras de arte. Daí que uma leitura mais superficial leve o leitor a concluir que a Igreja mantém uma colossal
mentira de dois mil anos, ocultando o facto de Jesus ter sido casado com Maria Madalena, que teve descendência, e que sua mulher,
como portadora do seu sangue, era o verdadeiro Graal.
Não posso subscrever estas conclusões por uma razão muito simples - Jesus não
era um homem vulgar, mas sim um alto iniciado que há dois mil anos já tinha atingido a Terceira Iniciação Maior [ii][2], em que as
necessidades sexuais e as conveniências matrimoniais há muito haviam ficado para trás. Consequentemente, decidi analisar estas questões
à luz dos Ensinamentos Rosacruzes de Max Heindel e da verdadeira natureza dos evangelhos, canónicos e apócrifos, sem dúvida os únicos
documentos credíveis para se conhecer algo da vida de Jesus e um pouco dos ensinamentos do Cristo.
OS EVANGELHOS[iii][3]
Ao longo dos primeiros tempos da nossa era foram-se formando igrejas cristãs por todo o Império Romano, onde a
religião dominante era o Mitraísmo.
Mitra, um deus solar, salvador do mundo, nascido no solstício do Inverno de uma mãe virgem[iv][4] e crucificado no equinócio da Primavera, viu o seu culto surgir na Pérsia por volta do ano 400 a.C. O Mitraismo foi-se espalhando
para Ocidente e chegou ao Império Romano em meados do século I a.C., onde lhe foi acrescentado o mito cósmico do sacrifício de um
touro [v][5] e se tornou um culto de legionários que procuravam a protecção dos deuses nos campos de batalha ou no além; daí que,
em 303 A. D., o imperador Diocleciano (245-313), antigo militar, tenha declarado o deus Mitra Sol Invictus, Protector do Império
Romano.
Foi com esta religião que as primitivas igrejas tiveram de se defrontar, o que não terá sido difícil porque, em boa verdade,
o Cristianismo já existia muito antes da vinda do Cristo, conforme nos assegura Santo Agostinho (354-430), em As Retractações (428): (...)o que hoje se denomina religião cristã existia na antiguidade e desde a origem do género humano até que Cristo se encarnou, e é dele
que a verdadeira religião que já existia começou a chamar-se cristã (...) [vi][6]. Assim, as novas igrejas adoptaram, com naturalidade,
muitas das crenças, mitos e práticas ritualistas do Mitraísmo, até que nos finais do século IV se tornaram suficientemente fortes
para substituir Mitra por Jesus Cristo.
Sem dúvida que a Igreja tem de agradecer este ascendente ao imperador pagão Constantino,
o Grande (c. 280-337), o qual, apesar de se ter convertido à nova fé apenas no leito de morte, promulgou em 313 o Édito de Milão reconhecendo
o Cristianismo como uma das religiões autorizadas no Império Romano, e em 325 convocou o primeiro concílio ecuménico, em Niceia, onde
foram tomadas decisões fundamentais. O “golpe de misericórdia” no deus persa foi desferido em 380 por Teodósio, o Grande (c. 346-395),
ao elevar o Cristianismo a religião oficial do Império Romano[vii][7] e estabelecer a pena de morte aos seguidores das seitas
heréticas extremistas.
Para falar sobre Jesus e pregar os ensinamentos do Cristo, as primeira igrejas tiveram de se socorrer
da tradição oral, mas logo que apareceram os primeiros documentos escritos[viii][8] foram adoptando-os, porém segundo critérios muito
subjectivos, o que, a partir dos finais do século I favoreceu o aparecimento de correntes de pensamento que mais tarde iriam
ser consideradas heréticas, como o Gnosticismo, o Arianismo e outras. Muitos desses primitivos textos perderam-se, enquanto outros
apenas sobreviveram em fragmentos mais ou menos deteriorados, ou chegaram ao nosso conhecimento por terem sido citados por autores
eclesiásticos a fim de os refutar.
Esta falta de unidade doutrinária cedo começou a preocupar as principais figuras do Cristianismo,
como Ireneu (140-202), bispo de Lion, que defendeu a existência de quatro evangelhos, nem um a mais nem um a menos [ix][9]; porém, esta
pluralidade de critérios somente iria terminar com a definição do cânone do Novo Testamento, acordada no Sínodo de Roma (382) e nos concílios de Hipona (393) e de Cartago (397) [x][10].
Conta a tradição que a escolha dos evangelhos verdadeiros foi feita poreleição milagrosa. Depois dos bispos terem rezado, quatro dos textos apresentados voaram por si sós e foram poisar sobre um altar;
seguidamente, os bispos puseram todos os textos sobre o altar e os que iriam ser considerados apócrifos caíram ao chão, enquanto aqueles
quatro permaneceram imóveis; depois, pediram a Deus que, caso nestes quatro evangelhos houvesse qualquer palavra falsa, os fizesse
tombar, o que não sucedeu; finalmente, o Espírito Santo entrou na sala do concílio sob a forma de pomba e, poisando no ombro
de cada um dos bispos, foi-lhes sussurrando ao ouvido os títulos dos evangelhos autênticos e dos falsos. Certamente que alguns dos
prelados eram surdos, pois os quatro evangelhos canónicos foram aprovados ... mas não por unanimidade!
Penso que a escolha dos
evangelhos canónicos teve a ver, não com rezas episcopais nem visitas columbinas, mas com outros factores bem diferentes.
O
Mitraismo era, essencialmente, uma religião de mistérios, onde se ensinava a evolução do Universo e o destino da humanidade,
e cujas cerimónias se desenrolavam no secretismo de caves e grutas. A admissão à Militia Mitræ, ou Exército de Mitra, que lutava contraAhriman, o Mal e a Morte, era feita baptizando o candidato com sangue de um touro sacrificado, após o que o grão-pontífice [xi][11] fazia
o sinal da cruz na sua fronte; seguia-se a comunhão com pão e vinho, segundo uns, ou pão e água, segundo outros, abrindo-se,
então, ao neófito uma via iniciática com sete passos que lhe iam conferindo, sucessivamente, os títulos de Corax (corvo), Nymphus (noivo),Miles (soldado), Leo (leão), Peres (persa), Heliodromus (pista de corridas do Sol), e Pater (pai), passos esses que se encontravam
sob a protecção dos sete astros então conhecidos, Mercúrio, Véus, Marte, Júpiter, Lua, Sol e Saturno, respectivamente.
As igrejas
nascentes acharam por bem adoptar os mistérios mitraicos pelo que foram instituindo as suas próprias escolas, muito embora a sua existência
fosse contrária ao universalismo da religião cristã e, consequentemente, às características essencialmente exotéricas do seu ensino.
Porém, a esmagadora maioria dos cristãos não estava – como ainda não está - preparada para compreender e aceitar toda a realidade
subjacente à Palavra do Cristo, pelo que lhes era dada apenas uma piedosa e mítica doutrina exotérica, embora mesclada aqui e ali
com alguns traços de espiritualidade, enquanto que aos mais evoluídos, moral e intelectualmente, lhes era proporcionado um ensino
conforme à realidade cósmica, mas em segredo; é o que se depreende de algumas passagens dos evangelhos, em especial a revelada
por Marcos em 4, 10-12:
10. Quando se acharam a sós, os que o cercavam e os doze indagaram dele o sentido da parábola. 11. Ele disse-lhes: A vós é revelado
o mistério do Reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes propõe em parábolas, 12. A fim de que olhando, olhem e não vejam,
e ouvindo, ouçam e não entendam, não suceda que voltem sobre os seus passos e se desliguem.[xii][12]
Não conheço as actas
do sínodo e dos concílios atrás citados, mas admito que os participantes, ao discutir este problema, tenham começado por separar todos
os escritos em duas categorias: os que podiam ser dados a conhecer às massas, e os que tinham de ficar secretos, reservados a iniciados,
isto é, apócrifos, pois é este o significado literal deste termo grego. Para a primeira categoria foram escolhidos, apenas, quatro
evangelhos, respeitando-se, assim, a opinião do influente Ireneu; para a segunda foram remetidos os textos gnósticos, entre os quais
o célebre Evangelho de Tomé [xiii][13], e outros que não podiam ser tornados públicos, aos quais foram sendo juntos todos os que ficaram
fora do cânone, quer os heréticos, quer os que não passam de piedosas fábulas ou historietas sem bases factuais; terá sido por esta
razão que o termo apócrifo perdeu o seu sentido original e passou a ser sinónimo de documento não autêntico, que contém erros.
Os quatro
evangelhos escolhidos para a primeira categoria foram Mateus, Marcos, Lucas e João. Os Evangelhos de Mateus e de Marcos estão relacionados
com duas escolas de mistérios menores, a primeira vocacionada para os cristãos da Palestina e a segunda para todos os outros;
o Evangelho de Lucas é um texto exotérico de uma escola misticista e universalista; por fim, o Evangelho de João será o único proveniente
de uma escola de mistérios maiores, como se percebe de trechos como o Prólogo, a descrição de uma Primeira Iniciação Maior, metaforizada
pelo relato da “ressurreição” de Lázaro, a referência ao Paracleto e outros, bem como da significativa ausência de parábolas[xiv][14].
Nos
finais do século IV, com a unificação do Cristianismo, as escolas de mistérios que estavam por detrás dos evangelhos canónicos foram
extintas; creio, porém, que o Vaticano mantém, no mais rigoroso secretismo, pelo menos uma destas escolas onde alguns papas e altos
dignitários serão iniciados.
Nesta conformidade, estou perfeitamente convicto de que nenhum dos evangelhos, canónicos ou apócrifos,
seja uma biografia de Jesus, como pretende a igreja dominante em relação aos primeiros[xv][15], e que somente um iniciado nos
mistérios das escolas com que os mesmos se relacionaram, está em condições de os interpretar, correcta e integralmente, por serem
alegorias, algumas bem elevadas, de uma realidade espiritual muito superior á sua materialidade factual. Assim, para um não iniciado
poder compreender algo do que os seus autores quiseram transmitir, restar-lhe-á a sua capacidade intuitiva, alimentada pelo que alguns
ocultistas e místicos, como Max Heindel, Rudolf Steiner, Corinne Heline, Elsa Glover, C. Leadbeater e outros, foram revelando.
É o
meu caso.
MARIA MADALENA
Feita esta breve exposição sobre os evangelhos, passo, agora, à figura-chave de O Código
Da Vinci: Maria Madalena.
Muitos estudiosos pretendem identificá-la com uma de três mulheres citadas nos evangelhos canónicos:
a do vaso de alabastro que ungiu Jesus com um perfume caro[xvi][16] e que Lucas acusa de pecadora [xvii][17], a adúltera que Jesus
salvou da morte por lapidação[xviii][18], e a irmã de Marta e de Lázaro, que ungiu Jesus e lhe enxugou os pés com os cabelos[xix][19].
Há, ainda, quem vá mais longe e pretenda que Maria Madalena era o discípulo amado e que o quarto evangelho é da sua autoria.
Em minha
opinião, estas pretensões carecem de fundamento por motivos que radicam nos únicos documentos que nos permitem identificar Maria Madalena:
os evangelhos canónicos e alguns apócrifos.
Os Evangelhos Canónicos
Mateus
Em 27, 55-61, este evangelista diz-nos
que Maria Madalena era uma das mulheres que seguiram Jesus desde a Galiléia e que, com Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos
filhos de Zebedeu, ficou sentada defronte do túmulo onde José de Arimateia depositara o corpo de Jesus.
Em 28, 1-10 diz que
Maria Madalena e a outra Maria foram ver o túmulo, que houve um violento tremor de terra e que um anjo do Senhor, que descera do céu,
lhes disse para não temerem, mandando-as dizer aos discípulos que Jesus tinha ressuscitado e que o veriam na Galiléia; quando se afastaram,
Jesus apareceu-lhes e elas prostraram-se e beijaram-lhe os pés.
Marcos
Em 15, 40-47 e em 16, 1-11 diz sensivelmente o mesmo,
mas omite o tremor de terra e substitui o anjo do Senhor por um jovem vestido de branco, sentado do lado direito no sepulcro,
cuja pedra havia sido removida, e que disse o mesmo às mulheres.
Em 16, 9-10, porém, acrescenta um dado novo: Tendo Jesus ressuscitado
de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdala, de quem tinha expulsado sete demónios [xx][20].
Lucas
Lucas,
em 8, 1-3, corrobora o relato dos outros dois evangelistas, nomeadamente a identificação e a anterior possessão de Maria, chamada
Madalena, da qual tinham saído sete demónios [xxi][21].
Em 23, 50-56 e 24, 1-12 segue principalmente Marcos, mas em vez
do jovem vestido de branco apresenta-nos duas personagens, com vestes resplandecentes, que disseram a Maria Madalena, Joana
e Maria, mãe de Tiago, que Jesus tinha ressuscitado.
João
João começa por seguir os sinópticos
mas introduz novo pormenor: em 19, 25 diz que Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas,
e Maria Madalena,
Em 20, 1-18 afasta-se dos outros evangelistas; os três primeiros versículos deste capítulo 20 prestam uma informação
que refuta, claramente, a última das presunções acima expostas:
1 No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi
ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro. 2 Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao
outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram! 3 Saiu então Pedro com aquele outro
discípulo, e foram ao sepulcro.
Daqui se conclui, sem margem para dúvidas, que Maria Madalena não pode ter sido o discípulo
a quem Jesus amava; ademais, no episódio da pescaria no lago de Tiberíades relatado por João em 21, 1-7, o discípulo amado é forçosamente
um homem, pois as mulheres não se dedicavam à pesca; acresce, ainda, o facto iniludível de nos originais gregos deste evangelho que
chegaram até nós, aparecer sempre a palavra µa??t?? (mathetês), discípulo, e nunca µa??t??a (mathetría), discípula [xxii][22].
Maria
Madalena viu dentro do sepulcro dois anjos vestidos de branco, um à cabeceira e outro aos pés; perguntaram-lhe por que chorava e ela
respondeu por terem levado o seu Senhor e não saber onde o tinham posto. Então Maria Madalena voltou-se e viu Jesus, de pé, mas não
o reconheceu, nem quando este lhe perguntou por que chorava e quem procurava; julgando tratar-se do jardineiro, pediu-lhe que, se
tivesse sido ele quem tinha tirado o corpo, lhe dissesse onde o pusera. Então Jesus chamou-a Maria! e só então esta o reconheceu,
exclamando Rabôni! Jesus disse-lhe para não o reter porque ainda não subira ao Pai e pediu-lhe para ir ter com os seus irmãos contar-lhes
o que se passara (Jo 20, 12-18).
* * *
Estas são as únicas referências a Maria Madalena constantes dos evangelhos canónicos,
aliás, de todo o Novo Testamento, sendo de notar que os quatro evangelistas parecem ter tido o cuidado de identificar as outras mulheres
chamadas Maria de forma a evitar que fossem confundidas com a Madalena[xxiii][23].
[i][1] Dan Brown,The Da Vinci Code (2003), trad. Mário Dias Correia, 13ª ed., Lisboa, Bertrand Editora, 2004.
O autor inspirou-se, basicamente, em três livros: O Sangue de Cristo e o Santo Graal, de Michael Baigent, Richard Leigh e Henry Lincoln, um best-seller ondeos autores analisam determinados dados históricos, ou factuais, e extraem hipotéticas conclusões que na altura levantaram enorme celeuma, Maria Madalena e o Santo Graal, A Mulher do Vaso de Alabastro, de Margaret Starbird e O Segredo dos Templários: O Destino de Cristo, de Lynn Picknett e Clive Prince.
[ii][2] In Rays from the Rose Cross, Julho-Agosto de 1996.
OS EVANGELHOS
[iii][3] Para facilitar a exposição, não vou usar expressões rigorosas como Evangelho segundo São Mateus, ou o autor do evangelho atribuído a Marcos, mas apenas Evangelho de Lucas, ou simplesmente João.
[iv][4] Um dos maiores templos mitraicos era dedicado a ‘Anahita, a Imaculada Virgem Mãe do Senhor Mitra.
[v][5] Este mito tem a ver com a descoberta do fenómeno da precessão dos equinócios, feita por volta de 128 a.C., pelo célebre astrónomo grego Hiparcos..
[vi][6] (…) ce qui se nomme aujourd’hui religion chrétienne, existait dans l’antiquité et dès l’origine du genre humain jusqu’à ce que le Christ s’incarnât, et c’est de lui que la vraie religion qui existait déjà, commença à s’appeler chrétienne (…) ; in Les Rétractations, Livre Premier, Chapitre XXX, 3, trad M. Henry de Riancey, versão ebook em francês, in http://www. multimania.com/ abbayestbenoit/augustin/retractationes/. Esta verdadeira religão constituía o cerne dos ensinamentos ministrados nas escolas de mistérios pagãs, precursoras das cristãs, pelo que esta afirmação de Santo Agostinho indicia a sua qualidade de iniciado.
[vii][7] E não Constantino o Grande, como escreveu Dan Brown em O Código Da Vinci (p. 280)
[viii][8] As Cartas de Paulo foram os primeiros textos de entre os que iriam ser considerados canónicos.
[ix][9] Cf. Irenaeus Against Heresies,
Book III, Chapter XI, nº 8, versão ebook em inglês, in http://www.ccel.org/ fathers/ANF-01/iren/.
[x][10] Diz Dan Brown que foi Constantino quem encomendou uma Bíblia que omitia os evangelhos que falavam das características humanas de Cristo, os quais foram banidos e queimados (O Código Da Vinci, p. 283); trata-se de mais um dos seus erros históricos.
[xi][11] Homólogo do hierofante dos Mistérios de Elêusis.
[xii][12] Esta é a tradução correcta do final do versículo 12, e não a que consta das Bíblias comuns: (...) não suceda que se convertam e sejam perdoados, o que é incompreensível. Sobre este clamoroso erro, cf. António de Macedo, Laboratório Mágico, Lisboa, Hugin Editores, Ldª, 2002, pp. 68 e 69.
[xiii][13] Face ao seu sugestivo título, “Estas são as sentenças secretas que o Jesus vivo proferiu e que Dídimo Judas Tomé escreveu”, e à não menos sugestiva primeira sentença, “E ele [Jesus] disse, ‘Quem encontrar a interpretação destas sentenças não experimentará a morte”, creio que este apócrifo reflecte os ensinamentos de uma escola de mistérios maiores que me parece espiritualmente mais elevada do que a de João: enquanto este prega a crença em Jesus, Tomé encoraja os crentes a procurar conhecer Deus através das capacidades que lhes foram divinamente concedidas, pois todos fomos criados à imagem de Deus. Cf. O Evangelho de Tomé neste saite.
[xiv][14] Cf. A “Ressurreição” de Lázaro, neste site.
[xv][15] Já o gnóstico Porfírio dizia em Contra os Cristãos (c.280) que “os evangelistas eram inventores, não historiadores”.
MARIA MADALENA
[xvi][16] Mt 26, 6-13 e Mc 14, 3-9
[xvii][17] Lc 7, 37-50
[xviii][18] Jo 8, 3-11
[xx][20] O sublinhado é meu.
Lucas
[xxi][21] O sublinhado é meu.
João
[xxii][22] Penso que esta pretensão terá sido inspirada no célebre fresco de Leonardo Da Vinci, A Última Ceia (1495-1498), no qual a figura que está sentada à direita de Jesus apresenta, de facto, traços femininos, enquanto as demais personagens são claramente masculinas. No entanto, não se pode ignorar que João era o mais novo dos apóstolos e o único que seria virgem, conforme atesta o Transitus Mariæ, um apócrifo do sec. IV ou V, pelo que será natural ter um aspecto diferente dos outros.
Afinal, quem era Maria Madalena?
[xxiii][23] Cf. p. ex. as seguintes referências: Maria, da qual nasceu Jesus (Mt 1, 16) - Maria, sua Mãe [de Jesus] (Mt 1, 18) - Maria mãe de Tiago (Mt 27, 56) - Maria Madalena e a outra Maria (Mt 27, 61) –o carpinteiro, filho de Maria (Mc 6,3) - Maria, mãe de José (Mc 15, 47) - Marta (...) tinha (...) uma irmã por nome Maria (Lc 10, 38-39) - Maria e sua irmã Marta (Jo 11,1) - Maria, mulher de Cléofas (Jo 19, 25).