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Volume XIII – Interpretação do Fausto , de Goethe 1
Notas :
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Centro Rosacruz Max Heindel
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Reflexões dum Estudante Rosacrucista

António Monteiro Link

  Nota prévia 

      Para este exercício baseei-me, fundamentalmente, na tradução de Fausto, de João Barrento, publicada pelo Relógio D’Água Editores para o Círculo de Leitores, em 1999; os versos transcritos são referidos pelos seus números entre parêntesis.  Quanto à interpretação do “livro de sete selos que aterra os profanos e deslumbra os iniciados”, no dizer de Maria Amália Vaz de Carvalho [i][1]  , como não sou iniciado, tive de me socorrer, principalmente, de Max Heindel, um iniciado rosicrucista, que em Mistérios das Grandes Óperas [ii][2]   faz uma análise, infelizmente parcial, desta obra grande da literatura mundial. Nestas circunstâncias há algumas passagens cuja interpretação é da minha responsabilidade. 

 

 

INTRODUÇÃO

     Formalmente, Fausto é uma peça de teatro em verso. Principia com uma Dedicatória a que se segue um Prelúdio no Teatro  e um Prólogo no Céu. O corpo principal contém duas partes: a primeira dividida em vinte e cinco cenas e a segunda em cinco actos subdivididos em cenas.  O tema base é a vida lendária do Doutor Faust, um mago e alquimista alemão quinhentista, mas cuja vida foi envolvida num manto de fantasias tecido pelas proezas mágicas que lhe foram atribuídas, o que torna muito difícil separar o real do imaginário. O acontecimento mais relevante da sua vida foi, ou terá sido, um pacto com o Diabo [iii][3]

 

O Doutor Faust 

     Johann Georg Faust terá nascido por volta de 1466 em Helmstadt, próximo de Heidelberg, ou em 1480 em Knittlingen, Württemberg, ou ainda em Roda, província de Weimar, e usou, também, os nomes de Johann Sabellicus ou Georg Faust. O mais antigo registo da sua vida que se conhece é uma carta do célebre ocultista, mago e taumaturgo Johann Tritheim (1462-1516), de 20 de Agosto de 1507, dirigida a Johann Wirdung [iv][4] em resposta a um pedido de  informações sobre um tal  Johann Sabellicus que era esperado em Hassfurt, Baviera. Segundo Tritheim, tratava-se de um facundo intrujão, que saltava de emprego em emprego, que lisonjeava um público simples e ingénuo para glória e lucro próprios, e que devia ser chicoteado por blasfémia. Acrescentou, ainda, que por recomendação de Franz von Sickingen [v][5] (1481- 1523) Johann Sabellicus fora admitido como professor em Kreuzach, mas foi obrigado a fugir por ter abusado sexualmente de alguns rapazes a seu cargo.      

    Em 1509 Faust estudava na Universidade de Heidelberg onde um professor elogiou a sua mente brilhante. Segundo Johannes Weyer (1515-1588)[vi][6]  e Philipp Melanchthon (1497- 1560) [vii][7]  ,  Faust partiu depois para Carcóvia a fim de estudar magia. É possível que nessa altura tenha estado em Praga onde parece ter-se familiarizado com os segredos da criação do golem  [viii][8] .

   Segundo a lenda, a ânsia de tudo saber levou-o, entretanto, a firmar um pacto com o Diabo, graças ao qual terá tido tudo quanto quis: poder, sabedoria, belas mulheres, como Helena de Tróia [ix][9]  e as concubinas do sultão da Turquia (!), viagens para onde desejasse, desde as profundezas dos infernos até às estrelas mais distantes, o que lhe permitia deslumbrar os seus alunos da Universidade de Erfurt com a descrição do que vira, quando não os aterrorizava com medonhas evocações, como a do gigante Polifemo[x][10] .

     De facto, Faust tinha ido para Erfurt em 1513, onde viveu sete anos, parte dos quais  no mosteiro de Maulbroon cujo abade teria sido aliciado com a promessa de ouro alquímico, dando aulas sobre Homero na universidade local. Em 1520 o pregador da catedral tentou convencer Faust a arrepender-se dos seus erros, mas este confessou, cortesmente, ter assinado um pacto com o Diabo e afirmou não estar arrependido porque confiava mais no demónio do que em Deus. Faust foi imediatamente expulso de Erfurt e de outras cidades em que pretendeu fixar-se por ser considerado um satanista, quer por católicos quer por protestantes. Em 1523 terá passado por Leipzig onde terá realizado uma proeza que ficou célebre: na Auerbachs Keller levou, sozinho, um pesado barril de vinho da cave para um andar superior ... limitando-se a cavalgá-lo [xi][11].  

    Johannes Weye, Philipp Melanchthon e outros autores dizem que Faust morreu em 1540, ou 1541, possivelmente em Würthenberg. A lenda, porém, pretende que o seu fim foi terrível: o diabo apoderou-se da sua alma, desfez o corpo em pedaços que lançou para um monte de esterco, arrancou-lhe os olhos e colou-os a uma parede.   

                                                                         ***

 

     Esta lenda foi tema de inúmeras obras literárias, a primeira das quais foi publicada em 1587 por um autor anónimo, com o título Historia von D. Johann Faustus dem weitbschreyten Zauberer und Schwarzbünstler (História do Doutor João Fausto, mui afamado mágico e necromante), a que se seguiu, em 1604, a Tragicall History of the Life and Death of Doctor Faustus, uma versão em inglês de Christopher Marlowe, e muitas outras, a última das quais terá sido o romance Doktor Faustus (1947) de Thomas Mann.. Será curioso referir que Fernando Pessoa iniciou uma trilogia dramática, Fausto

– Uma Tragédia Subjectiva, que não passou, porém, de um Primeiro Fausto inacabado. 

     Para além das produções literárias, diversos compositores utilizaram o tema para compor peças musicais, como a Eine Faust-Ouvertüre (1840) de Wagner, a famosa ópera Fausto (1859) de Gounod, etc., enquanto realizadores cinematográficos trataram o tema em numerosos filmes, o primeiro dos quais penso ter sido Faust et Marguerite (1897) de Georges Méliès.

     Mas a lenda não ficou por aqui e deu origem a uma outra, a de um livro intitulado O Mestre Infernal do Dr. Faust, que ensinaria a arte de controlar espíritos e de tornar o próprio Diabo subserviente ao mestre, livro este que estaria enterrado sob um espinheiro por detrás do Castelo de Chemnitz, Saxónia, na estrada da floresta de Küch. Há quem pretenda que os praticantes de magia negra têm procurado, afanosamente, este livro, mas em vão.   

                                                                                  ***

 

     Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) tinha apenas seis anos quando assistiu a uma representação da lenda do Doutor Faust num teatro de fantoches. A peça impressionou-o e mais tarde estudou cuidadosamente as duas primeiras obras sobre esta personagem acima referidas. Na sequência deste estudo compôs um esboço, o Urfaust (Proto-Fausto, ou Fausto Zero), que iria ser publicado, postumamente, em 1887; em 1791 escreveu outro esboço que intitulou Faust, ein Fragment (Fausto, um fragmento), que ficou inédito, até que em 1808 concluiu uma versão definitiva que intitulou Faust, eine Tragödie (Fausto, uma tragédia). 

    Tratava-se, porém, de uma primeira parte, uma vez que a problemática humana do Dr. Faust continuava a intrigá-lo, em especial quando Gotthold Lessing [xii][12] explorou a possibilidade do mágico ser salvo se Deus reconhecesse a sinceridade e honestidade da sua busca de conhecimentos; assim, em 1826 começou a escrever uma segunda parte que iria ser publicada em 1832, nas vésperas da sua morte, a que deu o título de Faust. Der Tragödie zweiter Teil in fünf Akten (Fausto. Segunda parte da tragédia, em cinco actos).    

 

 O ENREDO 

 

    A acção começa ainda no Prólogo com uma aposta, entre Mefistófeles e o Senhor sobre a posse da alma de Fausto que há muito lutava por obter conhecimento; o Senhor diz que Fausto serve o seu plano, uma vez que será levado em direcção à luz, mas dá liberdade de acção a Mefistófeles para o desviar [xiii][13].

 

Primeira Parte

   Desgostoso de verificar que toda a sua vida de estudo a nada conduzira, Fausto invoca o Espírito da Terra mas não obtém qualquer ajuda da sua parte. Assim, quando Mefistófeles vem ter consigo, não hesita em negociar um pacto, que assina com o seu sangue [xiv][14], segundo o qual aquele dar-lhe-á tudo quanto quiser em troca da sua alma.

     O seu primeiro desejo é recuperar a juventude, o que lhe é prontamente concedido na cozinha da bruxa, após o que abandona tudo para partir em busca de aventuras, sempre acompanhado por Mefistófeles. É nesta ânsia de viver uma vida perdida em vãos estudos que encontra Margarida [xv][15] , uma jovem bela, pura e inocente por quem se apaixona. Os sortilégios de Mefistófeles levaram a jovem a apaixonar-se e a deixar-se seduzir. Porém, satisfeita a sua luxúria, Fausto abandona-a, apesar de ter ficado grávida.

     Profundamente arrependida, triste e envergonhada, Margarida chora a morte da mãe, vítima de um soporífero que Mefistófeles lhe ministrara para que a filha pudesse receber o amante na tranquilidade da sua alcova; chora, também, a morte do irmão, um soldado que viera para a vingar mas que não conseguiu evitar uma estocada fatal de Fausto, guiada por Mefistófeles; e sofre com o desprezo a que a comunidade a votara. Desesperada, a jovem afoga o seu próprio filho recém nascido, mas é descoberta, presa e condenada à morte.       

          Durante o sabath da Noite de Walpurgis [xvi][16] , Fausto teve uma visão, a de Margarida no fundo do cárcere; atormentado pelos remorsos, parte para a tirar da prisão, mas a jovem, embora feliz por voltar a ver o seu amado, prefere assumir as suas responsabilidades e aceitar, resignadamente, o justo castigo, limitando-se a pedir a Deus que a aceite. E uma voz vinda de cima, responde:  Está salva!” (4612).  

 

Segunda Parte 

     A segunda parte começa com Fausto a recuperar do seu desastroso caso de amor na corte do Imperador, cujo despesismo havia arruinado as finanças do estado. Mefistófeles, que o precedera disfarçado de bobo, tinha informado o Imperador de que, nos seus domínios, havia muitos tesouros enterrados que o povo fora escondendo dos invasores, e que toda essa riqueza era sua propriedade. Fausto, entretanto chegado à corte, providencia no sentido da moeda corrente, o ouro, ser substituída por notas promissórias sobre o valor desses tesouros; a corte é inundada por papel moeda e a crise financeira fica ultrapassada; no entanto, os fundamentos do império foram substituídos pelo frágil papel.

     Resolvida a situação, o Imperador quer divertir-se e pede a Fausto para conjurar os espíritos de Páris e de Helena de Tróia; este acede e a corte admira o que se pode considerar uma sucessão de quadros vivos. Fausto, fascinado pela beleza de Helena, sente ciúmes quando Páris a abraça e salta para dentro do círculo mágico para os separar, mas tomba inconsciente.

     O segundo acto começa no velho laboratório de Fausto, onde Wagner, o seu fâmulo, seguindo as instruções do seu ausente mestre, cria, no interior de um frasco e à margem dos meios naturais de concepção, um homúnculo, um ser de fogo com uma alma e um espírito mas sem um corpo material [xvii][17]. O homúnculo leva Mefistófeles e o ainda inconsciente Fausto para o mundo clássico da Grécia, onde, nos campos da Parsália, se celebra a Noite de Walpurgis. Fausto recupera os sentidos e o seu primeiro desejo é encontrar Helena, enquanto o homúnculo deseja transformar-se num homem verdadeiro, livre da retorta onde tinha de viver; uma discussão entre dois filósofos clássicos, Anaxágoras e Tales, lança luz sobre o meio de concretizar os seus desejos: unir-se com o elemento água. É Proteu [xviii][18] quem o conduz, sempre dentro do frasco, até o Oceano, em cujas águas entra a fim de se unir com Galateia  [xix][19]; a retorta parte-se sob os pés da deusa, a essência feérica do homúnculo entra nas águas e esta espécie de união sexual mística reúne, harmoniosamente, os quatro elementos.

     Entretanto, Fausto, cavalgando o centauro Quíron [xx][20]  e guiado pela profetisa Manto[xxi][21] , procura Helena no submundo, mas é Mefistófeles, disfarçado de Fórcide [xxii][22] ,  quem induz a bela mulher a ir viver com Fausto no seu castelo do Norte. Desta união, feliz e harmoniosa, nasce um filho, Eufórion [xxiii][23]  ,que procura, como o pai, subir acima do mundo terrestre, voar nas alturas e tomar os céus de assalto. Porém, tal como Ícaro [xxiv][24] , Eufórion morre e a união de Fausto com Helena quebra-se e esta parte para os domínios subterrâneos de Perséfone [xxv][25] com a alma do seu filho.

     O acto seguinte mostra-nos um Fausto muito diferente, que aspira criar algo de grandioso. Ao poisar a vista no mar, imagina uma vasta terra conquistada às águas, onde os homens vivem livres e felizes. É com este projecto em mente que regressa à corte do Império, agora em guerra. Com a ajuda do eterno Mefistófeles, Fausto leva o imperador à vitória sobre os seus inimigos e, em paga, reclama a posse de toda a linha de costa do seu império, a fim de dar corpo ao seu grandioso projecto, a criação de um paraíso na terra,  que o Imperador aceita e que o Arcebispo da corte vê como fonte de mais rendimentos para a Igreja.

    O último acto apresenta-nos Fausto observando os trabalhos de construção dos diques e a progressiva conquista das terras às águas do mar. Porém, a localização de uma casa com capela, onde reside um velho casal, Baucis e Filémon [xxvi][26] , prejudica o seu plano. Mefistófeles envia os seus homens de mão para os desalojar, mas estes excedem- se e o casal é morto e a casa totalmente destruída pelas chamas. Fausto deplora a tragédia e acaba por perder a vista. Então, Mefistófeles faz-lhe crer que os trabalhadores estão prestes a completar a obra, quando, na realidade, estão a abrir a sua sepultura. E o mágico morre na convicção de que o seu sonho humanista está prestes a ser concretizado. Na cena final, Mefistófeles vai à sepultura cobrar o pacto; os anjos, porém, descem das alturas e, enquanto alguns o distraem, outros levam a alma de Fausto à presença de Maria, a Mãe Gloriosa. O espírito de Margarida intercede por ele e a Divina Mãe permite que o seu espírito passe às esferas mais elevadas. O drama termina exaltando o papel da anima no processo iniciático: 

 

Tudo o que deve morrer não é senão reflexo

Tudo o que é imperfeito encontra aqui a perfeição

Tudo o que é mistério aqui encontra a luz

A Mulher em todos nós mostra-nos o nosso caminho [xxvii][27]

  


[i][1] Citada por João Barrento na ob. cit.

[ii][2] Misterios de las Grandes Operas, Barcelona, Libreria Sintes

[iii][3] Note-se que há autores que pretendem que o pacto satânico é uma prática mais comum do que vulgarmente se  supõe

[iv][4] Matemático e astrólogo da corte Bávara

[v][5] Uma das figuras mais notáveis do primeiro período da Reforma

[vi][6] Médico holandês, ocultista e demonologista, discípulo e seguidor de Cornelius Agripa

[vii][7]  Professor e teólogo alemão, foi um líder eminente da Reforma e amigo de Lutero.

[viii][8] O golem faz parte da lenda judaico-cabalista surgida nos princípios da Era Cristã, quando alguns rabinos quiseram rivalizar com o Senhor e criar um ser vivo e inteligente por meio da magia. Assim, num Midrasch dos séculos II e III, Adão, na sua primeira fase, é descrito como um golem de grandeza e força cósmica, mas ainda sem vida e sem o dom da palavra. No século XII, a seita dos Khassidim elaborou 221 combinações diferentes das letras do alfabeto hebraico, tendo chegado à palavra emeth, que significa “verdade”, a qual animava a figura de um homem pequeno, semelhante a uma criança de dez anos, moldada em argila vermelha, quando escrita na sua fronte. O golem era um dócil escravo do seu criador, mas cedo começava a crescer e rapidamente se transformava num gigante; então o mágico apagava a primeira letra e como a palavra meth  significa “morte”, o desgraçado desfazia-se em pó.

[ix][9]  Na Mitologia Grega, Helena, filha de Zeus e de Leda,, casou com Menelau, rei de Esparta, mas durante a ausência do esposo foi raptada pelo troiano Páris, o que deu origem à Guerra de Tróia, imortalizada por Homero na Ilíada. Com a vitória dos gregos, depois de um cerco de dez anos, Helena regressou a casa com o marido. Por ser a mulher mais bela que alguma vez pisou a Terra, conquistou a imortalidade, após o que se tornou mulher de Aquiles (ou melhor, da alma de Aquiles, pois este já tinha morrido em Tróia), com o qual passou a viver na ilha de Leuce, e de quem teve um filho, Eufórion (vidé nota 21 infra).

[x][10]  Figura mítica da Odisseia, de Homero.

[xi][11]  A Auerbachs, que séculos depois Goethe frequentou, é presentemente um dos cinco restaurantes mais famosos do mundo.

[xii][12]  Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781), dramaturgo e crítico alemão, um dos obreiros do Iluminismo germânico. Estudou em várias universidades, nomeadamente na de Leipzig, onde escreveu a sua primeira peça, Der Junge Gelehrte (O Jovem Sábio), a que se seguiram outras obras como Der Freigeist (O Livre Pensador), Die Juden (Os Judeus), etc.

[xiii][13]  Goethe ter-se-á inspirado no livro bíblico de Job para criar esta aposta..

[xiv][14] O sangue é seiva como outra não há” (1740), diz Mefistófeles.

[xv] [15]  Gretchen, no original alemão. O nome de Margarida, por que ficou conhecida nos países latinos, foi-lhe dado por Jules Barbier e Michel Carré, autores do libreto do Fausto, de Gounod.

[xvi] [16] A Noite de Walpurgis é a de 30 de Abril para 1 de Maio, durante a qual se celebrava, desde tempos imemoriais, o início do Verão com ritos pagãos e práticas de feitiçaria. O nome vem de uma missionária inglesa, Santa Walpurgis (c. 710-777), abadessa do convento beneditino de Heidenheim, cujo dia festivo é o 1º de Maio. A crença popular refere que em certos locais, como as montanhas de Harz, na Alemanha, as feiticeiras se reuniam com o Diabo durante essa noite

[xvii] [17]  Será curioso comparar o homúnculo de Wagner, uma alma e um espírito sem corpo material, com o golem do Doutor Faust, um corpo material sem alma nem espírito, referido na nota 2 supra.

[xviii] [18] Profeta que mudava constantemente de forma a fim de poder furtar-se aos pedidos que lhe faziam para profetizar.

[xix] [19]  Uma das Nereides, mas que neste drama representa Afrodite, a deusa da beleza e do amor.

[xx] [20]  Filho do titã Cronos e de Fílira, Quíron foi o mais famoso dos centauros. Vivia numa gruta do monte Pálion, na Tessália, e era um sábio e um médico divino. Amigo dos mortais, Quíron foi preceptor de diversos heróis gregos, como Castor e Pólux, Peleu e o seu filho Aquiles, Jasão e o grande Asclépio, por ele iniciado nos segredos da Medicina. O fim de Quíron foi trágico; Heracles atingiu-o,  acidentalmente, com uma flecha que havia sido embebida no veneno da Hidra de Lerna que produzia ferimentos incuráveis; apesar dos seus conhecimentos, Quíron não conseguiu sarar a ferida e passou a sofrer dores horríveis; desesperado, pediu a Zeus que lhe permitisse renunciar à imortalidade o que lhe foi concedido, tendo morrido em paz.

[xxi] [21]  Profetisa e sacerdotisa de Apolo, considerada filha de Tirésias, o vidente cego.

[xxii] [22] Nome com que, no terceiro acto da segunda parte, Mefistófeles oculta a sua identidade.

[xxiii] [23]  Goethe faz uma adaptação da passagem do mito de Helena referida na nota 7 supra, e para não suscitar dúvidas até dá o nome de  Eufórion ao filho de Fausto.

[xxiv] [24]  Filho de Dédalo; obcecado pela ideia de voar, construiu umas asas de cera e, ignorando os avisos do pai, aproximou-se demasiado do Sol; o calor derreteu a cera e o pobre sonhador precipitou-se no mar, morrendo.

[xxv] [25]  Filha de Zeus e de Deméter, Perséfone foi raptada por Hades, deus do mundo dos mortos, do qual foi feita rainha.

[xxvi] [26]  Zeus e Hermes costumavam vaguear pela Frigia incógnitos, mas não encontravam abrigo junto de nenhum mortal a não ser em casa de Baucis e Filémon. Os deuses puniram a região com um grande dilúvio do qual apenas se salvou o bondoso casal de velhos, cuja casa foi transformada em templo.

[xxvii] [27] Na edição que tenho vindo a seguir, a tradução destes últimos versos è a seguinte: “Tudo o que  passa / É símbolo só; / O que não se alcança / Em corpo aqui está; / O indiscritível / Realiza-se aqui; / O Eterno-Femi nino / Atrai-nos para si ” (12104-12111). Os versos apresentados são a tradução, da minha autoria, de um ensaio, em inglês, intitulado The Alchemical Drama of Goethe, de Adam McLean (in http://www.levity.com/alchemy/faust.html);  no plano do simbólico, parece-me a versão inglesa  mais significativa do que a de João Barrento.

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